




Escrever para mim é uma busca e uma forma de me encontrar comigo mesmo. É uma forma de reflectir sobre a vida e o mundo, é um meio através do qual tento atingir uma certa beatitude, o êxtase ou o nirvana. É uma forma também de equacionar e resolver problemas e conflitos espirituais e deles distanciar-me. É um refúgio e uma maneira de fugir da solidão, da tristeza, da desilusão e do desespero.
Quando escrevo, nada mais existe, senão a sinfonia das palavras, dos sentimentos, das cogitações, e do pulsar total, de todo o meu eu.
A escrita para mim representa ainda uma forma de comunicação comigo mesmo e uma ponte, transitava, entre o meu interior e o exterior e vice-versa. É uma forma de sentir os outros e o mundo e de com eles relacionar-me, conviver e comunicar-me. Escrever para mim é viver.
Para além da criatividade, o domínio da imagem, das metáforas, é fundamental no meu fazer poético, enquanto que na ficção se impõem o enredo, a surpresa e a linguagem fluida e coloquial com imagens elegantes e equilibradas.
Mas creio que tenho um estilo próprio dentro desses parâmetros. Não me filio em nenhuma corrente estética e sou um paladino da liberdade total de escrita, desde que se consiga a qualidade estética, baseada na subjectividade e capacidade de possibilitar uma multiplicidade de leitura.
Há temas e assuntos variados na minha escrita, desde questões metafísicas e existências até à condição humana. Eu tenho uma escrita lírica, mas também satírica, romântica, dramática, trágica, erótica e sublime. Escrevo sobre as grandes questões humanas, mas também sobre os pequenos nadas e o quotidiano. Às vezes sigo a linha do maravilhoso, do onírico, ou do absurdo e outras vezes sou místico e utópico. Tanto posso escrever por uma inspiração momentânea, “como se os Deus o dessem”, como premeditar o que vou escrever e idealizar todos os trâmites do que vou escrever e de como vou escrever. Levanto-me no meio da noite e escrevo; escrevo enquanto caminho na rua ou viajo; escrevo no meio de uma conversa ou reunião; escrevo na paródia ou escrevo deitado na cama, ou sentado na minha secretária, ouvindo música e fumando cachimbo. Posso ser motivado por uma cena qualquer do quotidiano, ou por uma flor desabrochando; por uma situação insólita ou brejeira, por um filme ou um livro, ou por uma feiticeira ou deusa de saia, enfim por uma infinidade de coisas.
Às vezes sou subversivo, obsceno, ou impertinente, às vezes sou simples e directo, puro e meigo, ou doce como o mel.