




Quanto à influência na arte, é preciso dizer que há sempre influência em tudo – na escrita, na pintura, na música e na vida. Todos os escritores também têm influência de uma coisa ou de outra porque não se cria do nada. Há sempre um ponto de partida. Agora, as influências são mais directas em relação a algumas coisas, às vezes indirectas em relação a outras, e às vezes são inconscientes, ocorrendo, neste caso, o que se chama intertextualidade, que é a semelhança que existe entre frases, pensamentos, ou textos. As influências podem ter origens diversas – desde a própria vida que vivemos, até às coisas que observamos, ou das situações em que somos apenas testemunhos.
Tudo, ou quase tudo na vida e no mundo ao ser criado tem influência, e podemos constatar isso facilmente. Na Bíblia, o dilúvio, a Torre de Babel para se chegar ao céu, por exemplo, têm intertextualidade com as mitologias grega, egípcia, hindu e persa, etc., assim como as leis de Moisés têm influência dos princípios morais do antigo Egipto, ou do masdeísmo ou do Zoroastro que influenciou também Jesus com o princípio de pagar o mal com o bem, entregando a outra face para a segunda bofetada; mesmo o nascimento de Jesus parece muito com o do Sidharta, Buda, etc. A mitologia romana é toda ela influenciada pela mitologia grega, assim como esta possui influência egípcia, da persa e da Índia. Na pintura há exemplos vários, começando com os renascentistas, passando por Picasso com a influência africana, pelos impressionistas, com a influência chinesa e pelo dos naive com o primitivismo. Na música, os casos são incontáveis; na literatura são diversos, e, praticamente é impossível não haver, porque, para se escrever é preciso, antes de mais ler e ler muito; conhecer a escrita dos considerados grandes escritores, em que na maioria dos casos possuem obvias influências, como, por exemplo a da Ilíada de Homero, sobre a Eneida de Virgílio, e destas sobre a Divina Comédia de Dante, que por sua vez terá influenciado Bocaccio, Shakespeare, Camões e tantos outros. Mas, como se pode ver, o importante é ultrapassar essas influências e criar, não obstante, coisas novas e principalmente com uma linguagem e um estilo próprios.
Como disse, é preciso ler muito para se poder escrever, e isto não significa copiar, mas sim aprender. As leituras, mais as experiências da vida, próprias, e testemunhadas, funcionam como um todo que interage no momento da escrita, às vezes de forma consciente, às vezes inconsciente.
O importante agora, para além do estilo próprio, é criar algo original, diferente dos demais, de forma a despertar o interesse do leitor, pois, praticamente, tudo o que poderemos dizer já foi dito, de muitas outras formas, pelo que poderemos não estar dizendo nada que seja novo, mas estaremos dizendo de uma forma nova, com nova abordagem, com novos pontos de vista e com novas surpresas, e só assim estaremos afastando-nos verdadeiramente de eventuais influências, criando um mundo novo, distanciando-nos do “dejá vu”. É preciso dizer: por mais que tudo já tenha sido dito, há sempre algo novo a dizer e uma forma nova de dizer: assim como as pessoas se parecem todas, enquanto ser humano, mas são tão diferentes entre si.