O mais importante para mim na Vida é a liberdade, o que é a mesma coisa que dizer: ter os meus próprios pensamentos e opiniões, rejeitando qualquer dependência ou sujeição às opiniões dos outros. Isto é, não viver em função dos outros, mas sim de mim mesmo, dos meus sentimentos, dos meus pensamentos, dos meus princípios, das minhas virtudes e dos meus defeitos. E isto não significa não aceitar as opiniões dos outros, quando são justas e coerentes e segui-las, pois, o respeito e o discernimento são partes importantes da liberdade e que permite a convivência sã e airosa na sociedade.
A vida, eu vejo-a como algo, ao mesmo tempo, frágil e forte; bela e feia; pujante e fraca, mas eu a encaro sempre de forma positiva e optimista e procuro sempre o melhor que ela tem para oferecer, das suas múltiplas faces contraditórias. Para mim, a Vida é bela e deve ser desfrutada em plenitude, com intensidade; e gosto de viver cada instante do momento presente, sentir-me bem, pelo que tento afastar tudo que seja mau e que prejudique o meu espírito e o meu estado de alma. Tudo o que foi bom para mim no passado pode ser bom no presente. O futuro é difícil de se predizer, mas espero sempre o melhor dele e para mim é o prolongamento do presente; é o presente que prevejo e que já vou preparando tento, no entanto, para estar preparado para as eventualidades.
Infelizmente, há muitas pessoas pessimistas e de corações sombrios e negros que não sabem viver, que não sabem procurar o melhor da vida e que tentam destruir a felicidade dos outros, e complicar-te a vida. Como não dependemos cem por cento de nós mesmos, e temos de conviver com os outros, porque a vida é feita também dos outros, o que temos de fazer é tentar minimizar esses contratempos e intensificar a busca e o desfrutar do que é belo e bom, o que é verdadeiro, o que é puro, ignorando, inclusive, tudo o que seja mau e pernicioso e destrutivo.
Infelizmente, há muitas pessoas de mau carácter, de má índole, hipócritas e cruéis, com quem temos de conviver, mas, felizmente, há também pessoas boas e puras que tornam a nossa vida mais bela e doce e quente, cheia de promessas agradáveis.
Eu tento evitar tudo o que me cheira a escravidão e escuridão, tais como a religião, os partidos políticos, determinados grupos e convivências, e determinados vícios, procurando sempre a luz, ou o que é passível de iluminar o meu caminho e a minha vida, tais como boas leituras, boas músicas, bons entretenimentos, boas convivências e bons momentos sozinho de paz e de silêncio, sábios e revigorantes
Evito ao máximo a tristeza e a depressão e ocupo a minha mente e o meu dia a dia com coisas gratificantes que me dão satisfação e prazer, tais como escrever, pintar, sonhar e viver. Poderia também dizer amar, mas essa premissa é de raiz dúbia e de essência volátil, pois a sua dimensão é muito fluida, pelo que às vezes digo que amo e que o amor existe sim, e sinto-o com todo o meu ser, mas outras vezes fico atónito perante a imagem que se me apresenta dele que me leva a pensar que não existe, ou que pelo menos não existe com a dimensão que a idealizo e que pressupõe a entrega total e a procura sempre, por todos os meios, do bem do outro, da pessoa, ou da coisa amada. E isso é muito difícil porque as pessoas, todos nós, em geral, somos muito egoístas, e o egoísmo é o amor próprio, é o narcisismo que existe no nosso ser e que não nos deixa amar plenamente o outro e entregarmos-nos completamente; e, por outro lado, há na vida, também, muitos desencontros, e, se calhar há tendência para as pessoas amarem sempre as pessoas erradas e daí a complicação, ou complexidade de que se reveste o amor.
Mas, sim, amo, amo a natureza, as montanhas, as paisagens, o mar, a ginástica artística, amo uma boa paródia, um bom momento de descontração, de distração e lazer, amo a arte, a cultura o meu trabalho e tudo o que faço, amo fazer amor, enfim, amo muitas coisas boas e bonitas e procuro sempre rodear-me delas.
E tudo o que é mau, mesmo os meus piores momentos, e as piores coisas que me aconteceram, tento encará-los pelo lado positivo e tento tornar o que foi negativo em positivo, tornando-os como experiências que me poderão servir futuramente. E penso, se me apareceram assim é porque estava para ser assim, tinha de ser assim para que outras coisas acontecessem também como aconteceram. Eu não me desmoralizo facilmente e tento enfrentar as coisas com serenidade. Ainda que em determinados momentos me sinta violentado e revoltado, e me sinta mal, frustrado, paranóico, deprimido e imprestável, a seguir mentalizo-me a distanciar-me dessas cruzes, desses infernos e procurando a luz, a claridade, a felicidade. Só a felicidade, que é algo difícil de conseguir, salva o Homem, porque uma pessoa feliz é meiga, é carinhosa, é generosa e é altruístas. E quando tudo isso se converge num punhado de pessoas, à volta dessas pessoas acontecem coisas boas, haverá bons frutos, e as coisas crescerão, e o progresso aparecerá e o mundo será melhor, mais belo e radioso.
Por isso prefiro à verdade à mentira, a simplicidade ao luxo e à fatuidade, o amor ao ódio, a bondade à maldade, a felicidade à infelicidade a serenidade ao alvoraço, ao caos.
Enfim, prefiro um bom “grógu” de um coração simples puro ao mais fino e caro Whisky de um coração sujo e hipócrita.