1 – Pintura de referente X que flúi ao sabor do coração; poesia de cores em esplendor de vida e do mundo. Pintura sem fronteira, nem peias, livre, com a “liberdade do gesto, do olhar, da imaginação e da interpretação; fugaz e perene a um tempo, e em diapasão de música e de luz; Pintura do âmago do Ser e do Cosmos total; da atomização e do infinito pleno; dos sentidos todos e do sentir inteiro, à imagem de um relâmpago ou das ondas do mar em maré de lua cheia.
2 – Para além da explosão e reverberação de cores quentes e vivas, que dão a impressão de mundo e coisas estilhaçadas e reorganizadas; dispersas e reunidas, há todo um universo de interioridade e de intuição e uma sugestão cósmica, enquanto fulcro de algo invisível e incomensurável; mais fluido, menos perceptível. Há um espaço onírico de encantamento e de redução no entrelaçamento das cores, das linhas e das fusões líricas dessa pintura luminosa e sugestiva.
3 – “Um delírio - equilíbrio em pleno voo” que acaba numa explosão de cores, plena de convivência entre o vermelho, o verde, o amarelo, o azul e o laranja, pontuadas aqui e ali de caracteres (...) define assim a imaginação e a poesia destes quadros. 4 – Dilution et fusion des coleurs qui s’épanouissent por une savante alchimie créative empruntée au rêve avec un style qui ne s’apparente à aucun outre et révèle une sensibilité à fleur de peau - Didier Baumlé, Director do Centro Cultural Francês da Praia
Eu sou um Poeta de cores. Os meus quadros são essencialmente poéticos, assim como os meus poemas são verdadeiras pinturas em forma de palavras e de versos. Eu os concebo e idealizo como artes supremas em que o subjectivismo, o êxtase, a relatividade e uma certa fugacidade eterna se manifestam.
Tanto a minha escrita como a minha pintura são para serem sentidas, antes de serem entendidas, pois são ao mesmo tempo delírio e equilíbrio em pleno voo.
Relativamente aos temas dos meus quadros, eu defino a minha pintura como pintura cósmica, que tem muito a ver com a minha intuição, na medida em que, para além do incomensurável universo da minha interioridade, que expresso em pintura, há também uma grande procura da parte invisível das coisas, e do mundo, enquanto fulcro de algo mais vasto, menos preciso, mais fluído, menos perceptível, e que, no entanto, pressentimos, possui uma ordem e uma lei precisas. É assim algo onírico, mas latente, enquanto forma e não-forma, coisa e não-coisa; e aqui os sentimentos e a intuição são soberanos na determinação do processo e do caminho a percorrer nessa busca do sempre emanente e transcendente. Há um delírio, é certo, nessa busca do infinito, desse Cosmos que me habita. É que a minha pintura é um pouco simbólica por representar esses universos vaporosos e quase intangíveis das coisas e do meu eu.